Lajedo de pedras apareceu a 400 metros da margem, diz canoeiro

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O que era água do rio Negro no período de cheias no porto de Manaus (AM) hoje abriga carros, caminhões, barracas e barcos. A areia que aparece pelo recuo de 100 metros da margem está sendo usada para comércio e como via de caminhada por viajantes e carregadores dos mais variados produtos.

Na maior seca do Rio Negro em 108 anos, a paisagem muda ao longo de seu curso. O canoeiro José dos Santos conta que um lajedo de pedras “reapareceu” no meio do rio, a cerca de 400 metros da margem. “Elas só foram vistas em 1963, quando também houve recorde de vazão do rio. Em 1983 um barco bateu nelas e ficou encalhado. Mas não dava para ver. Agora, em outubro, ela reapareceu”. O lajedo virou atração turística a banhistas.

O também canoeiro Pedro Roque, de 62 anos,  diz que “há lugares que não dá para passar” pela primeira vez em muitos anos porque leitos de igarapés estão secos.

Foto: AE

Água recuou no Porto de Manaus por conta da seca que atinge o Estado

O carregador de feira Analzido Gomes da Silva, de 32 anos, explica que, na seca, o trabalho sempre é mais díficil. “Prejudica muito para a gente. Fica tudo mais longe e o carreto mais pesado”. Como a margem do rio está afastada do porto e os barcos não conseguem atracar no local, os carregadores precisam caminhar os cem metros de areia para abastecê-los com mercadorias.

A distribuidora de queijos Helem Lima, de 26 anos, vai ao porto buscar o alimento para revender três vezes por semana. “Levar todo o queijo para o barco durava em torno de 30 minutos. Agora, dá 1h30, 2h. A produção está menor. Com pouca água, as áreas de pasto diminuem e, consequentemente, os gados e o queijo. Em época de cheia fazemos 500 quilos por semana; em seca, 200, 300 quilos chorando.”

Nível do Rio Negro

No último domingo, o nível do Rio Negro chegou a 13,63m, um centímetro a menos que o recorde de 1963. É o nível mais baixo em 108 anos, desde que a medição começou a ser feita no Porto de Manaus. Na segunda-feira, subiu para 13,65m e , na quarta, atingiu 13,70m. Daniel Oliveira, chefe do setor de hidrologia do Serviço Geológico do Brasil, o CPRM, afirma ao iG que, apesar de o rio Negro estar subindo desde domingo, ainda não é possível saber se a vazão chegou ao fim. “O rio Negro é decorrente do que acontece no Solimões, sobe e desce de acordo com ele”, explica. A água do rio Solimões voltou a cair, após dias seguidos de alta.

A seca no Amazonas fez com que 38 dos 62 municípios decretassem situação de emergência, segundo informou a Defesa Civil do Estado. Mais de 62 mil famílias já foram afetadas pela estiagem e pelo baixo nível dos rios. No interior, há comunidades isoladas e barcos impedidos de atracar nos portos. Em Manaus, há leitos de igarapés secos bem no meio da capital.

Segundo o CRPM, o rio Solimões já alcançou o menor nível da história nos principais pontos de medição. O rio Amazonas também já quebrou recorde com o menor nível registrado desde 1970, quando iniciou a medição.

Veja abaixo imagens de Manaus antes e depois da seca.

Source:  Lectícia Maggi (http://ultimosegundo.ig.com.br)

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